terça-feira, 29 de outubro de 2013

Overprotection...

 O que mais quero neste momento é ser livre. 


Quero que me deixem em paz. Quero que me deixem fazer o que quero, que me deixem ser livre de pensar e fazer o que quiser, que me deixem passar o tempo que me apetecer ao telemóvel, lavar a loiça/lavar a roupa/arrumar a casa e o quarto/limpar quando quiser e bem entender!
Quero poder estar com quem amo quando e o tempo que quiser, que me deixem amar quem eu quero sem critica-la pelos seus erros passados e que me deixem ser feliz a minha maneira!

Quero poder ter a possibilidade de ter a noção de quão difícil é realmente a vida de deixar de ser tão protegida de tudo e todos! Estou farta desta prisão!!

sábado, 12 de outubro de 2013

CONTO: « E se eu dissesse que nunca te esqueci? »

O barulho do autocarro fez-me acordar de sobressalto. Atónita, olhei em redor e deparei-me com a maioria dos passageiros em pé. Uns procuravam as malas, outros esperavam, impacientemente com as malas na mão, que a fila se deslocasse. O jovem rapaz, de maciços caracóis loiros que passara a viagem toda sentado ao meu lado, olhou para mim, e com ar fatigado, explicou:

 
 - Houve uma avaria qualquer e agora temos de percorrer o caminho a pé até à aldeia mais próxima.

Assenti e esboçando um sorriso cansado, encostei a cabeça na janela à minha esquerda, olhando lá para fora. O vento abanava os ramos das árvores com tanta veemência, que pareciam querer largar-se e voar a qualquer instante. O sol ainda brilhante e maravilhoso ameaçava desaparecer sobe a linha do horizonte.
  " Sam! " , ouvi alguém chamar. " Sam?! " , voltou a chamar. O rapaz ao meu lado agitou-se no banco. Olhei para ele, estava completamente imóvel. 
  " O que se passa? " gesticulei com os lábios, pondo-lhe a mão no ombro. " É a minha irmã. " sussurrou. E assim, como se fosse a sua deixa, apareceu uma moça cintilante de cabelos loiros ondulados.

  - Porquê que fugiste?! - perguntou numa voz esganiçada, dando-lhe um empurrão. Só segundos depois é que reparou em mim. - Ah! - exclamou. - Sou a Clara! - sorriu. - Ele é o Sam... suponho que ele nem se apresentou. - fez uma careta. 
  - Olá Clara, sou a Su. - retribui o sorriso.
Sam fez uma careta e depois começou a rir. Em seguida Clara também se riu e eu, inevitavelmente, me juntei ao coro de gargalhadas. Assim que conseguimos parar de rir, pegamos nas malas e saímos do autocarro tal como todos os outros.
  - E agora? - perguntei.
  - Vamos andar até à Aldeia Violeta. - murmurou Sam enquanto tentava perceber o mapa que tirava do bolso. Aldeia Violeta. O nome era-me estranhamente familiar.

Repentinamente, tive um flashback: vi-me em criança a brincar com um rapaz mais velho. Riamos, felizes com a presença um do outro. Uma senhora, minha mãe, estava sentada no sofá a arranjar um par de calças.

  -   Su... Su?   - Alguém me acordou daquele sono acordado, o Sam. -  Estás bem?   - perguntou preocupado.

Acenei afirmativamente coma a cabeça e comecei a andar arrastando a mala atrás de mim enquanto Clara e Sam, em passo de corrida, tentavam me acompanhar. Após termos passado vários quilómetros, depará-mo nos com uma pequena cidade praticamente isolada na floresta. Era ali, a minha casa, a minha terra natal! Uma lágrima escorreu-me pela face ao lembrar-me de todos os momentos que passaram nesta aldeia. Limpei a cara com a manga da camisa e sorri. Pé ante pé, avançávamos pela cidade. Agora, a única coisa que iluminava o nosso caminho eram as poucas luzes que emanavam das janelas das casas e da lua.
Observei o caminho de pedra, os becos e as lojas, relembrando a minha feliz infância. Ao chegarmos ao fim da estrada de pedra, depará-mo-nos com uma casa discreta, escondida por vários pinheiros. Sorri.

  -    É ali. A minha casa.   - puxei o Sam pela mão em direção à casa.

Bati à porta. Um homem musculado e alto, de face simpática, abriu a porta. Era ele, o meu irmão!

  -   Su? Há quanto tempo?   - Abraçou-me. - Entrem, entrem!

Entramos e fomos até à cozinha conversar. Passado umas horas, convidou Sam e Clara para passarem as férias connosco e claro que aceitaram.
Já na cama, apesar de exausta, não conseguia dormir. Algo me atormentava o sono, impedia-me de dormir. Saudades? Sim, mas de quê? Fechei os olhos e, sem mais nem menos as lágrimas apareceram inundando-me a cara e levando com elas toda a alegria que me restava. Limpei-as e aconcheguei-me à almofada e assim fiquei. Quando dei por mim já era de dia. Sai da cama e fui comer cereais. O galo não tardava em cantarolar, por isso vesti-me o mais rápido que pude e sai de casa, tentando chegar à igreja o mais depressa possível. 
Entrei cautelosamente. Estavam todos de pé a cantar. Assim que pararam, o Padre concluiu a missa, dando os bons-dias e permissão para que saíssem. Fui empurrada para fora de lá. Esperei que todos seguissem o seu caminho e à sua rotina. Suspirei impacientemente.
De repente, dei de caras com ele. Nunca mais o vira, mas agora lá estava ele, à minha frente. De mãos nos bolsos e com o mesmo olhar sereno de antes e sorriso cativante, aproximava-se de mim. Todo o meu corpo tremia, e aquela sensação ácida e familiar apoderou-se do meu estômago. Ele sempre tivera esse efeito em mim. Já ao meu pé, sem dizer uma única palavra, abraçou-me com força. Retribui o gesto apertando-o ainda mais contra o meu corpo. Há tanto tempo que ansiava aquele reencontro. Larga-mo-nos.

   -   Tive saudades tuas.   -  olhou-me de cima de cima a baixo.
  - E eu tuas. E pelos vistos continuas o mesmo "engatatão" de sempre, mesmo sendo Padre...   -  sorri.
   -   Nada disso.   - fingiu-se inocente -  Amor... hoje foi a minha última missa. Vou desistir.
   - Porquê...? Porque me chamas de "amor" ?
   - E  se eu dissesse que nunca te esqueci?

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