quarta-feira, 16 de maio de 2012


Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém…

Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim…

E ter paciência para que a vida faça o resto…



[William Shakespeare]

terça-feira, 15 de maio de 2012

CONTO: Tudo estava prestes a mudar...

~Palavras que se revelaram apenas isso, palavras~

O alarme no telemóvel tocou, desligou-o abrindo lentamente os olhos. Assim ficou fitando o tecto. Era só mais um dia, um como qualquer outro. Um dia em que mais uma vez ela teria de esboçar um sorriso e dizer "está tudo bem" só para não preocupar os outros. Um dia repleto de dor, perda e uma réstia minúscula de esperança...  
Voltou-se para a janela. 
Pensara já ter ultrapassado toda a dor que ele lhe causara. Pensara que já não sentia saudades dele. Pensara que ultrapassara tudo e que seguira em frente. Pensara finalmente ser forte para seguir em frente outra vez... mas afinal ainda sentia saudades dele e do que era com ela.
Suspirou e arrastou-se para a casa de banho. 
Olhou-se ao espelho. Passou as mãos pela cara, e assim, sentindo as olheiras criadas devido às noites que passara em claro remoendo pensamentos e emoções. "Tu queres sempre prolongar o teu sofrimento enquanto eles querem acabar o deles." dissera-lhe uma vez a sua irmã.  Ela tinha razão. Ela quando amava, amava mesmo de verdade e fazia tudo pela pessoa nem que fosse sofrer por ela. Mas nenhum permaneceu o tempo suficiente para ver que ela realmente amava. Acontecia-lhe sempre isso. Fora novamente abandonada. Não bastou à nascença ser abandonada pelo pai, mas agora, também era constantemente abandonada por aqueles que ela amava...
Voltou a suspirar. 
Arranjou-se e preparou as coisas para a escola. Quando tudo estava preparado para o seu longo dia na escola, sentou-se à frente do portátil e escreveu. Desabafou, chorou, tremeu e o seu coração novamente se desfez... Olhou para o relógio. Já eram horas de sair de casa. 
Correu para a casa de banho e fez os possíveis e impossíveis para esconder os vestígios do seu choro, contudo os seus esforços foram em vão, por isso limitou-se a pegar na mochila e dirigir-se à rua. Entrou no autocarro e sentou-se ao pé da janela e encostou a cabeça ao vidro. Fechou os olhos sentindo a brisa morna vinda da janelas abertas afagar-lhe o cabelo.
Imaginou-o ali ao seu lado: a sua respiração no seu pescoço, os lábios doces sussurrando-lhe ao ouvido, os dedos no seu cabelo, os braços segundo-lhe firmemente e protegendo-a, o calor dele a aquecer-lhe a pele... 
Mais um suspirou. 
Abrindo os olhos. Estava quase a chegar à sua paragem. Tocou na campainha, o autocarro parou e saiu. Andou em passo lento por entre crianças que contavam às mães o que tinham aprendido naquela manhã, por grupos de jovens que se riam e falavam sobre coisas banais, por casais andando de mão em mão completamente alheios ao mundo à sua volta... 
Entrou no edifício grande, sentou-se na sala onde teria as aulas e lá permaneceu o dia todo. O tempo parecia nunca passar. O sol enfraquecia, o professor explicava a matéria, os colegas falavam e mandavam bilhetinhos uns aos outros... e ela era a única ali que, apesar de lá estar não estava. 
A sua mente vagueava por entre memórias. Recordações de momentos bem passados. Carícias, beijos, olhares e abraços. A voz, o toque  e o calor dele. A sua pele na dela. Palavras que a faziam corar, tremer, ansiar, sonhar e feliz. Que a faziam se calar, que a faziam nervosa... Palavras que se revelaram apenas isso, palavras. Memórias que ela agora ansiava ter de volta, mas que já não faziam sentido nenhum. 
O toque se saída marcou o fim do dia de aulas. Ela jogou tudo para dentro da mochila e preparou-se para o regresso ao seu abrigo - seu quarto, onde poderia ficar e esconder a sua tristeza de todos.
"Até manhã!" - Exclamaram as suas amigas. Ela virou-se para elas, reuniu todas as suas forças e sorriu-lhes, retribuindo o gesto.
Decidiu andar até casa para assim desanuviar as ideias. 
Pelo caminho deparou-se com um rapaz lindo: olhos cor de mel, cabelo encaracolado loiro-escuro, alto e de tez morena; que a fitava-a com curiosidade. 
Ela ignorou-o o mais que pôde, mas soube que era um sinal. 
Um sinal de que tudo estava prestes a mudar...

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